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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Jornalismo investigativo, literatura e cinema

Best-sellers costumam tomar o caminho dos cinemas. Embora sejam lidos por muitas pessoas, o sucesso e o burburinho gerado fazem os olhos dos executivos de estúdios brilharem. Nem sempre o resultado é satisfatório, mas algumas vezes as obras conseguem cumprir seu propósito - entreter - indo além.

A trilogia Millenium, do jornalista sueco Stieg Larsson cumpre esse papel. Os três livros que acompanham a cooperação entre o editor de uma revista investigativa e uma hacker venderam milhões de cópias e foram levados ao cinema em seu país de origem. A versão americana, dirigida por David Fincher, de A Rede Social e Clube da Luta, está prestes a chegar aos cinemas.

O primeiro livro/filme, "Os homens que não amavam as mulheres", traz Mikael Blomqvist, um jornalista responsável pela "Millenium", revista claramente de esquerda, que atua denunciando esquemas de corrupção. A história tem um cunho autobiográfico, pois Larsson foi editor da "Expo", uma revista cujo alvo era a ultra direita europeia.

Blomqvist precisa largar o trabalho, por ter sido acusado de caluniar um executivo corrupto. Tendo em vista sua reconhecida habilidade investigativa, um empresário chamado Henrik Vanger o contrata para descobrir o que aconteceu com uma sobrinha desaparecida há 40 anos. Vanger acredita que ela foi assassinada por um dos membros da família, porém não há pistas aparentes que levem a essa conclusão.

Ao lado da hacker Lisbeth Salander, a garota da tatuagem de dragão do título americano, Blomqvist começa a investigar o caso que o leva a descobrir uma série de acontecimentos relacionados a violência contra mulheres. Em paralelo, a história conturbada de Lisbeth se desenvolve em meio a críticas a elementos de extrema direita presentes na Europa contemporânea.

Larsson, autor da série, morreu subitamente, aos 50 anos, em 2004. Há bastante discussão acerca de sua morte, inclusive a possibilidade de ter sido assassinado, em função dos temas polêmicas que tratava em sua revista.

Abaixo, os trailers da versão original sueca e da americana do primeiro filme da série. Quem tiver vontade de saber um pouco mais, pode ler o livro também.


Versão sueca



Versão americana


Bridge

Muitos cineastas iniciam suas carreiras fazendo curtas. Alguns documentários, outros pequenos filmes de animação. A técnica, cada vez mais difundida, tendo em vista as facilidades tecnológicas, proporciona filmes simples, porém divertidos e com belas mensagens a serem passadas.

Criado por Ting Chian Tey como trabalho para a Academy of Art University, de São Francisco, em 2010, o curta Bridge apresenta a história de animais querendo cruzar uma ponte ao mesmo tempo. A cooperação é o caminho.

Bridge from Ting on Vimeo.

Making-of do curta:


Bridge - Making of from Ting on Vimeo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O cineasta de um filme só

Narrar uma vida é uma tarefa complicada. Saber por onde começar, quais fatos incluir, quais deixar de lado. Na primeira edição do Blog de Papel, cada um de nós terá que contar a história de alguém que já não está por aqui. Sua vida vai ser desenhada por amigos, familiares e documentos.

Salomão Scliar foi meu escolhido. Depois de percorrermos os cemitérios próximos a ESPM, fiquei interessado em contar algumas histórias. Salomão, contudo, chamou minha atenção em especial. Em sua lápide, descobri se tratar de um cineasta. Ainda, parente do grande escritor Moacyr Scliar. Cinema e literatura, não havia ponto de partida melhor.

Comecei a investigar sua história. Consegui contato com Wremyr Scliar, irmão de Moacyr. Ele me contou fatos surpreendentes. Salomão foi um grande fotógrafo e o cineasta de um filme só. "Não era fácil produzir cinema naquela época - os anos 1950, pois a estrutura era muito precária aqui no Sul, tudo muito caro", relata Wremyr. O pai de Salomão teria ajudado a financiar o filme. Foi seu pai, inclusive, que teria trazido a arte e a cultura para a vida da família. Salomão era irmão de Carlos Scliar, pintor reconhecido. Quando jovens, iam com a família para o sítio que tinham em Viamão, local em que aconteciam reuniões com amigos ilustres, como Jorge Amado e Zélia Gattai. Nesse ambiente, livros e ideias eram discutidos. Essa atmosfera deve ter sido responsável por muito do que Salomão fez em vida.

"Ele era um sujeito muito alegre, gostava de ir ao cinema, tinha ideais muito fortes", conta Wremyr, que teve a oportunidade de conviver com o primo, quando este voltou a morar em Porto Alegre. Isso porque muito jovem, Salomão foi embora para São Paulo. Trabalhou como fotógrafo fora do Rio Grande do Sul. Em 1951, porém, voltou e gravou o seu Vento Norte.

Detalhes dessas histórias é o que busco contar. A investigação continua. Seu filme e suas fotografias são a linha que conduzirá minha pesquisa. A partir do seu trabalho pretendo entender melhor o que se passou com esse homem cheio de convicções. Assim que tiver novidades, conto por aqui.

Quem tiver conhecimento sobre a vida e o trabalho de Salomão Scliar e quiser contribuir com minha pesquisa pode enviar email para: luizguilhermers@gmail.com

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Melancolia no fim dos tempos

Lars Von Trier provoca. Em uma coletiva de lançamento de seu mais recente filme, Melancolia, em Cannes, o cineasta fez declarações polêmicas sobre o nazismo que movimentaram a imprensa e podem ter lhe custado a Palma de Ouro. Fato é que o cineasta dinamarquês expõe seus personagens, intérpretes e público a emoções intensas, sendo muito difícil sair impassível de uma sessão de seus filmes.


Melancolia é uma grande obra. A mera ideia de tratar um filme sobre o fim do mundo sem que esse seja o tema central, demonstra como o diretor é capaz de trazer novidade ao cinema. Sob o som da ópera Tristão e Isolda, do compositor Richard Wagner, Von Trier apresenta uma série de imagens que parecem fotografias em movimento, mas que se tratam de frames em slow-motion do que está prestes a acontecer com os personagens da história. É um prelúdio do fim do mundo.

O que se segue é uma visão taciturna do que são os últimos dias do planeta sob a ótica de duas irmãs, Justine (Kirsten Dunst, vencedora da Palma de Ouro por sua interpretação) e Claire (Charlotte Gainsbourg, protagonista do polêmico filme anterior de Von Trier, Anticristo).

A película é dividida em duas partes. Na primeira, o casamento de Justine com Michael (Alexander Skarsgård, da série True Blood), organizado por Claire e o marido (Kiefer Sutherland, da série 24 Horas) é dissecado em cenas que mostram a brutalidade dos sentimentos da família. Não é uma festa clichê, com casais felizes e danças coreografadas, mas uma espiral de emoções no melhor estilo dos filmes do sueco Ingmar Bergman.

Justine é a expressão do título do filme. Melancólica e, aparentemente, desiludida com tudo o que está vivendo, em muitas cenas parece inerte diante de tudo o que ocorre. E algo grandioso está acontecendo, mesmo que o cineasta não se preocupe em dar destaque para este aspecto durante toda a primeira metade do filme. Um planeta gigantesco, chamado Melancolia, está em rota de colisão com a Terra. Não se sabe muito sobre o fato. Não há as clássicas cenas com explicações de cientistas. O que há são pequenos comentários entre os personagens enquanto tentam resolver seus problemas familiares. Aqui, vale destacar as cenas da festa com os pais das irmãs, vividos por John Hurt e Charlotte Rampling. Suas participações são pequenas, mas memoráveis.

Na segunda parte, focada em Claire, Justine está em depressão. A notícia de que o mundo pode acabar a consola, de sorte que as nuances da interpretação de Kirsten Dunst levam a crer que a personagem está confortável com essa situação. De uma figura frágil no início da história ela parece resignada e tranquila à medida que o apocalipse se aproxima. Já o comportamento de Claire se altera completamente. Responsável pela organização do casamento da irmã, ela tem uma imagem prática e objetiva no início do filme, com a proximidade do fim ela fica transtornada. Sua vida confortável, e estável é balançada pela notícia da aproximação do planeta Melancolia. 
Claire é uma forma de retratar um pensamento padrão e convencional diante de situações limite. Ela entra em pânico, e a interpretação de Gainsbourg retrata sua fragilidade emocional e modo de pensar convencional. 

O grande mérito do filme, além das belíssimas interpretações, é a forma como o diretor conduz a história. O fim do mundo é visto pelos olhos das irmãs. O pânico se restringe aos pavor de Claire com a situação. Não se tem a menor ideia do que está acontecendo no restante do planeta. Para Von Trier, a forma como as duas reagem à catástrofe é o fator relevante. Quanto mais se aproxima do final, tornam-se mais nítidos a calma de Justine e o desespero de Claire. 


Von Trier desnuda a fragilidade psicológica humana ao mesmo tempo que demonstra a força. Ao final, em uma cena de tirar o fôlego, com um som arrebatador, tudo termina. Tranquilidade passa pelos olhos de Justine, desespero e tristeza pelos de Claire. Não poderia ser um epílogo convencional. As imagens derradeiras não saem da mente. Definitivamente, o cinema e as declarações de Von Trier são feitos para provocar.

Confira o trailer:


A sessão já vai começar

"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho", disse Orson Welles. Esse mundo de sonhos e realidade vai ser o foco desta seção.

Eu sou Luiz Guilherme Alves e vou trazer meus comentários sobre filmes e o que está acontecendo no mundo do cinema.

Pegue a pipoca, se acomode na cadeira e deixe a vida passar diante dos seus olhos por alguns momentos. Diversão, reflexão, conhecimento, emoção. Tudo isso e mais um pouco é possível viver com o cinema. É complicado sair ileso desta experiência.

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