Mostrando postagens com marcador Bastidores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bastidores. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Lugar de colorado é no Beira-Rio", dizia Marcelo Kripka em dias de jogo

Acompanhe depoimentos de pessoas que conviveram com o ex-presidente da FICO.


O primeiro jogo sem Marcelo Kripka

Uma ida ao Beira-Rio um tanto quanto atípica. Chegar na frente da loja do Inter, no pé da rampa três, e deparar-se com o ponto de encontro da FICO sem seu principal membro. O Escort estava lá. Marcelo Kripka, pela primeira vez, não.

Escort de Kripka. Foto: Renata de Medeiros.

Os torcedores ali presentes, para conservar a memória do ex-presidente, enlutavam-se com faixas pretas amarradas à manga das camisetas coloradas. Todos em volta do carro que os reunia até o último jogo, como se, ficar ali perto do automóvel de Kripka fosse uma forma de amenizar a saudade que imperava há uma semana.

Em homenagem, uma bandeira que tremularia em poucos instantes dentro do gramado do Gigante. Um troféu que eternizaria o craque da primeira batalha sem Marcelo. Balões brancos em contraste com o preto do luto.

Entramos em campo. A bandeira que estampava o rosto do homenageado dava a volta no estádio sob aplausos. O Troféu Super FICO Marcelo Kripka Rádio Gaúcha foi entregue ao repórter Gabardo para que o craque do jogo fosse premiado posteriormente.

Eduardo Gabardo com o troféu em homenagem a Kripka. Foto: Renata de Medeiros.

Antes do jogo, um minuto de silêncio. Gritos de "Guerreiro, Marcelo" bradavam da superior onde estava a FICO. E um sentimento: saudade.

Acompanhe as homenagens feitas domingo passado no Beira-Rio:

Imagens e edição: Renata de Medeiros.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mudança de planos

Em meu primeiro contato com Dona Santa, mulher de Romeu Armelindo Felipetto e mãe de José Antônio, imaginei que teria uma história marcada pela paixão pelo futebol para contar. Depois de ir mais além, descobri que não era bem o que eu esperava. Crises depressivas, traições, decepções, enfim, uma série de elementos que caracterizaram vidas nem tão felizes como eu pensava.

Um desafio e tanto para mim, que sempre gostei de contar as peculiaridades de história felizes. Decidi encarar, mesmo depois de encontrar esses detalhes adversos no meio do caminho. Porém, depois de algumas semanas, ficaram difíceis os telefonemas para Dona Santa, que me apresentaria amigos de seu marido e de seu filho. Minhas ligações resumiam-se em "liga depois, ela não está" ou "liga depois, não consegui falar com nenhum amigo deles ainda". Isso, de certa forma, me desanimou.

Segunda-feira passada, quando pus o pé pra fora do prédio C, me deparei com as movimentações para o enterro de Marcelo Kripka. No dia anterior, no Beira-Rio, já havia ficado sabendo de sua morte minutos antes do jogo, mas era muita coincidência o seu sepultamento ser no cemitério que fica exatamente à frente da faculdade. Ver aquela cena já me balançou. Contar sua trajetória, na verdade, despertou-me um interesse enorme.

Pensei na hipótese durante a semana toda, até que, sexta-feira, propus a mudança de personagem à professora. Tive total apoio. No mesmo dia, procurei contatar conhecidos de Marcelo. O primeiro retorno veio de Mauro Arruda, que vai ser minha principal referência para a coleta de informações.

Domingo, já estava no Beira-Rio para acompanhar as homenagens feitas para o querido ex-presidente da torcida F.I.CO, Marcelo Kripka.

Mudei. Não pelo medo de errar. Mas pelo desejo que uma quase jornalista tem de se envolver com as histórias que conta.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Imprevistos


Na tarde de sábado, enquanto lia um livro, fui surpreendida por uma ligação. Dona Santa ligou-me perguntando se eu poderia visitá-la naquele dia mesmo.
Curiosa e cheia de expectativas, saí de casa para falar com a esposa de seu Romeu e mãe de Zé para saber um pouco mais da vida deles. Chegando lá, deparei-me com histórias nem tão alegres como eu imaginava que encontraria.
Romeu e Santa são de Santa Maria e conheceram-se lá. Depois de se casarem, tiveram que vir para Porto Alegre, pois o marido era militar e foi transferido para cá. Tiveram nove filhos. Dois, porém, faleceram logo depois que nasceram. Zé morreu, aos 46 anos, vítima de repetidas crises de depressão. A paixão pelo futebol parecia ser seu único consolo. Não teve mulher, nem filhos, mas era bem apegado à sua família.
Dona Santa mostrou-me algumas fotos e prometeu-me apresentar amigos de infância tanto de seu Romeu, quanto de Zé. Deposito minha esperança de histórias mais divertidas e alegres nessas duas fontes, já que, até agora, conheci duas vidas marcadas por dificuldades.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Apaixonados por futebol

Paixão. Talvez seja essa a palavra que defina melhor Romeu Armelindo Felipetto e José Antonio Felipetto.

O túmulo onde estão sepultados, no Cemitério Santa Casa da Misericórdia, despertou-me curiosidade. Nele, há dois distintivos: um do Internacional e outro do Grêmio. A paixão Gre-Nal eternizada ali, indiferente à vida. Mas viva até a morte.

No começo, achei que eram irmãos. Então fui procurar referências na internet para apurar mais informações. Encontrei o telefone da casa de seu Romeu. Liguei para lá sexta, 23 de setembro, e um homem chamado Roney me atendeu. Ressabiado depois de escutar minhas explicações detalhadas sobre o projeto, pediu-me que ligasse outro dia para falar com sua mãe.

Consegui contato apenas na semana seguinte. Dona Santa foi quem atendeu. Após esclaracer o trabalho e me identificar, contei o motivo de escolher o túmulo dos Filipetto. Ela, muito animada, declarou:

- Ah, ele era muito colorado! - disse ela, referindo-se ao filho.

Dona Santa era esposa de seu Romeu, e José Armelindo, um dos filhos deles e irmão de Roney - o que me atendeu na semana anterior. A senhora me explicou que Zé era mesmo apaixonado pelo Inter. Segundo ela, quando lavava seu uniforme colorado, ele botava a cadeira na rua para cuidar da roupa no varal, pois tinha medo que roubassem seu manto sagrado. Além disso, falou-me que participa do Clube de Mães e foi bailarina.

Sobre o marido, não deu grandes detalhes por telefone. Mas fiquei super empolgada com a receptividade de Dona Santa e acredito que, quando falar pessoalmente com ela semana que vem, vou ter mais informações. Espero ter muitas histórias para contar desses pai e filho movidos pela paixão Gre-Nal.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Um homem de caráter íntegro


José Gerbase
Minha primeira fonte afetiva foi o quinto de seis filhos de José Gerbase: Carlos Gerbase. Através de uma pesquisa na internet, consegui contato com ele e  marquei uma conversa. A colaboração desse, que orgulha-se muito do pai, foi importante para o andamento do projeto. Saí da conversa com um DVD, um caderno de memórias escrito por Léa Gerbase ─ esposa do dermatologista ─ e principalmente, com uma sensação de que estava resgatando a história de alguém incrível. 

Através de suas ações, José Gerbase, demonstrava a preocupação com o próximo. Seus atos eram impregnados de dedicação em busca do melhor para as pessoas, fossem essa integrante da família, parte de seu círculo de amizades ou pacientes.  

Natural de Maceió, o Alagoano ousou ao mudar para o Rio de Janeiro, onde terminou a faculdade de Medicina. Mais tarde, aventurou-se a ir morar no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Na capital conheceu Léa,  sua futura esposa e mãe de seus seis filhos, aquela que passaria ao seu lado o resto de sua vida. 

José Gerbase, Léa Gerbase e seus filhos
Gremista fanático, José Gerbase chegou a ser Presidente do Grêmio. Apesar de não ter nascido tricolor, passou a ser torcedor do time quando veio para capital. O grêmio lhe proporcionou coisas boas, ele levou coisas boas ao grêmio. Uma troca. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os trabalhos de Salomão

Quando comecei a pesquisar sobre a vida de Salomão Scliar encontrava apenas referências ao seu trabalho como fotógrafo e a um único filme que tinha feito, há 60 anos. Era a matéria sobre um cineasta de um filme só. Inusitado. A pesquisa, todavia, permitiu que eu descobrisse que seu trabalho foi muito além.
Realmente, Salomão dirigiu apenas um longa-metragem de ficção, seu Vento Norte. Contudo, trabalhou na equipe de cinematografia de outras películas como Inconfidência Mineira, Inocência e Caminhos do Sul, além de realizar alguns curtas documentais.
Algo mais começou a chamar minha atenção. A história de sua família, os Scliar. Primo do escritor Moacyr e irmão do pintor Carlos, Salomão tinha a arte em suas veias. Acabei descobrindo que discutia-se política e literatura em sua casa. Todo esse interesse resultou em alguém preocupado em pesquisar e documentar. Salomão, além de fotógrafo e cineasta, editou álbuns e livros, com gravuras, fotografias e a história do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Minha visita ao Museu de Comunicação Hipólito da Costa comprovou isso. Eles ainda estão organizando seu acervo, mas já pude ter contato com álbuns editados por ele, como Rio Grande do Sul histórico e Porto Alegre antigo. A pesquisa segue, em breve conto mais sobre o que descobri desse viajante das imagens.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um desafio incomum


Pensar na hipótese de resgatar a vida de alguém que já faleceu pode ser um pouco assustador. Ficamos receosos, tendo em vista que nossa sociedade não aceita bem a morte.

Confesso que ao imaginar esta hipótese fiquei ansiosa por iniciar o projeto. Mesmo assim, quando a professora de Oficina de Redação I, Patrícia Specht, lançou o desafio de escrever uma reportagem onde o ponto de partida seria o cemitério, a reação foi positiva. Resgatar histórias de pessoas comuns, que poderiam ter sido grandes personagens, era uma oportunidade que todos aguardavam. Afinal, estudar na ESPM-Sul é sinônimo de excelência e também de estar em um local cercado de cemitérios, literalmente de "frente para o futuro" inevitável do ser humano, o que apesar de não nos afetar nos deixa um tanto curiosos.

Após refletir um pouco, ao me dar conta da dimensão dessa ideia, fiquei temerosa. Pois como faríamos para chegar em fontes que nos contassem mais do que informações corretas? Fontes afetivas, era disso que precisávamos. Pessoas que conviveram diretamente com nossos protagonistas e que, em muitos casos, compartilharam histórias e sentimentos com gente que não faz mais parte do nosso mundo. Um grande desafio.

Em busca das histórias a serem desvendadas, nossa turma foi a diferentes cemitérios próximos da ESPM-Sul. Quatro foi o número exato de vezes que eu fui em busca de meu personagem. Eu não tinha preferências ou alguma influência específica, o que tornava as coisas um pouco mais difíceis diante das opções.

Em um dia nublado, acompanhada de alguns colegas, eu caminhava pelo cemitério Santa Casa de Misericórdia quando uma lápide me fez parar, por motivos que desconheço. Mal imaginava eu que, por trás daquele nome, havia uma incrível história. Meu protagonista era José Gerbase, um médico nordestino que trouxe para o Rio Grande do Sul, entre 1954 e 1956, a dermatologia. Gremista fanático, foi presidente do Grêmio e construiu laços familiares que se perpetuam até os dias atuais.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O cineasta de um filme só

Narrar uma vida é uma tarefa complicada. Saber por onde começar, quais fatos incluir, quais deixar de lado. Na primeira edição do Blog de Papel, cada um de nós terá que contar a história de alguém que já não está por aqui. Sua vida vai ser desenhada por amigos, familiares e documentos.

Salomão Scliar foi meu escolhido. Depois de percorrermos os cemitérios próximos a ESPM, fiquei interessado em contar algumas histórias. Salomão, contudo, chamou minha atenção em especial. Em sua lápide, descobri se tratar de um cineasta. Ainda, parente do grande escritor Moacyr Scliar. Cinema e literatura, não havia ponto de partida melhor.

Comecei a investigar sua história. Consegui contato com Wremyr Scliar, irmão de Moacyr. Ele me contou fatos surpreendentes. Salomão foi um grande fotógrafo e o cineasta de um filme só. "Não era fácil produzir cinema naquela época - os anos 1950, pois a estrutura era muito precária aqui no Sul, tudo muito caro", relata Wremyr. O pai de Salomão teria ajudado a financiar o filme. Foi seu pai, inclusive, que teria trazido a arte e a cultura para a vida da família. Salomão era irmão de Carlos Scliar, pintor reconhecido. Quando jovens, iam com a família para o sítio que tinham em Viamão, local em que aconteciam reuniões com amigos ilustres, como Jorge Amado e Zélia Gattai. Nesse ambiente, livros e ideias eram discutidos. Essa atmosfera deve ter sido responsável por muito do que Salomão fez em vida.

"Ele era um sujeito muito alegre, gostava de ir ao cinema, tinha ideais muito fortes", conta Wremyr, que teve a oportunidade de conviver com o primo, quando este voltou a morar em Porto Alegre. Isso porque muito jovem, Salomão foi embora para São Paulo. Trabalhou como fotógrafo fora do Rio Grande do Sul. Em 1951, porém, voltou e gravou o seu Vento Norte.

Detalhes dessas histórias é o que busco contar. A investigação continua. Seu filme e suas fotografias são a linha que conduzirá minha pesquisa. A partir do seu trabalho pretendo entender melhor o que se passou com esse homem cheio de convicções. Assim que tiver novidades, conto por aqui.

Quem tiver conhecimento sobre a vida e o trabalho de Salomão Scliar e quiser contribuir com minha pesquisa pode enviar email para: luizguilhermers@gmail.com

Share

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More